História e tradições

História

À margem esquerda do Ribeirão "Vai-Vem", afluente do Veríssimo, ergueram-se as primeiras moradias ao redor da “Casa Grande” da Fazenda do "Vai-Vem", de propriedade de Francisco José Dutra.Os documentos paroquiais e inventários, autorizam concluir que a origem do aglomerado do Arraial do Vai-Vem se deu em 1816.

Os primeiros desbravadores se deslocaram em tropas, enfrentando o sertão, ribeirões e rios, das Minas Gerais e do próprio Catalão, buscando terras férteis às margens do Veríssimo, Braço e do Corumbá. Adquiriram ou assentaram propriedades, lavrando a terra, levantando moradias. A comunidade que se formou era agrária e pastoril. Entre os Rios do Braço e Veríssimo o Arraial surgiu isolado das terras mais altas, mais acessíveis às correntes migratórias.

Somente muito mais tarde em 1º de abril de 1833 a Resolução do Governo da Província de Goyas elevou a Vila e o Arraial de Catalão , as Fazendas do Vai-Vem e do Calaça (Campo Alegre) começaram sua participação na história da terra goiana, como distritos. E somente em 1870 foi o distrito elevado à categoria de cidade.

O nome Ipameri

O nome primitivo “Vai-Vem” tanto pode ser originário dos constantes vai-vens dos índios locais (nativos) ou pode vir do curso sinuoso do Ribeirão com o mesmo nome.

“Entre-Rios”, posteriormente, por se localizar entre os Rios Corumbá e Braço. Este segundo nome mudou em decorrência de homônimos (o mesmo nome) existentes em outros estados do Brasil, causando freqüentes problemas para os Correios na entrega das correspondências, especialmente porque àquela época ainda não havia o Código de Endereçamento Postal (CEP).

O Jornal “Ypameri” de 1926 narra que de passagem por Entre-Rios, o Monsenhor Inácio Xavier da Silva, José Vaz da Costa pediu-lhe que sugerisse para a cidade um novo nome. Foi na obra “O Tupi-Guarani na Geografia Nacional” de autoria do Engenheiro Teodoro Sampaio, e depois tendo o Monsenhor se dirigido diretamente a ele pedindo-lhe ajuda nesse sentido, surgiu então o novo vocábulo que é a tradução de Enre-Rios: “Y”: rio; “pan” “meri”: vão, espaço, entre. Por eufonia, foi suprimida a lentra “n” ficando então Ypameri, que significa o mesmo que Entre-Rios.

Mais tarde entenderam que se deveria trocar o “Y” que não fazia então mais parte do alfabeto português brasileiro por “I”, ficando então por Lei específica até a atualidade IPAMERI.

Os Imigrantes Estrangeiros

Ipameri no seu crescimento e pioneirismo tem a influência de colônias estrangeiras que aqui aportaram, alguns que já residiam no Brasil em diversas cidades, bem como aqueles que vieram diretamente do Porto de Santos com informações e referências para embrenharem no “Sertão de São Marcos” em viagens difíceis, especialmente antes da chegada da Estrada de Ferro – ou seja antes de 1913.

As principais colônias estrangeiras que aqui se radicaram foram: os sírios, que então eram chamados de “turcos” e que foi a maior colônia em número de famílias, bem como a responsável pelo desenvolvimento do comércio. No início esse comércio era o de “mascate”, que viajava em tropas de animais, comprando, vendendo e trocando produtos diversos. Mais tarde, melhor organizados e com as facilidades do progresso que chegou cedo a Ipameri, eles passaram a ter suas casas de comércio: lojas de utilidades domésticas, de tecidos, armazéns de secos e molhados, enfim, supriram a cidade do necessário e também traziam o que se constituía em moda nos grandes centros do país. Alguns se dedicaram a industria de beneficiamento de arroz café e laticínio.

A colônia dos Espanhóis que se dedicou especialmente à construção civil e à indústria;

A colônia dos Alemães que se dedicou dentre outras atividades à Indústria;

A colônia dos Italianos se dedicou igualmente à Indústria.

Alguns portugueses estiveram presentes nas atividades comerciais e na prestação de serviços;

Alguns japoneses se dedicaram à agricultura e ao comércio de secos e molhados;

Uma família da Tchekslovaquia que aqui se radicou, dedicou à prestação de serviço na área da relojoaria, cofres, confecção de chaves e outros serviços especializados.

Tão forte e grande foi a influência dos imigrantes estrangeiros que houve uma miscigenação natural e dificilmente em Ipameri, nos dias atuais, não existe algum grau de parentesco com um estrangeiro ou de sua descendência.

Outra grande marca deixada pelos imigrantes além do progresso pela força do trabalho e dedicação incansáveis e perseverantes, foi o traço moral por índole e tradição e o amor que tiveram por Ipameri, pois raros os que se mudaram, a maioria aqui foram sepultados, merecendo de todos os ipamerinos natos a gratidão e o respeito pelas marcas indeléveis que aqui deixaram. (Por: Beth Costa)

Linha Férrea e Estação

Linha-tronco - km 153,162 (1960) / GO – 3447

Inauguração: 10.12.1913

HISTORICO DA LINHA: A linha-tronco da E. F. Goiaz foi aberta a partir de Araguari, onde já estavam os trilhos da Mogiana desde o ano de 1896, em seu primeiro trecho em 1911, até a ponte sobre o rio Paranaíba, na divisa entre os Estados de Minas Gerais e Goiás. A partir de então, foi aquela demora de sempre: avançando lentamente, atingiu Goiânia, capital do Estado de Goiás desde o início dos anos 1940, somente em 1950, e alguns anos mais tarde a linha foi prolongada em dois quilômetros até Campinas de Goiás. Aí parou. Com a entrada em operação da linha para Brasilia, a partir da estação de Roncador, o trecho até Goiânia perdeu em importância. Hoje boa parte da linha está em operação para trens cargueiros: trens de passageiros acabaram nos anos 1980.

ESTAÇÃO FERROVIÁRIA / USO ATUAL: Biblioteca Pública Municipal João Veiga

A ESTAÇÃO: A estação de Ipameri foi inaugurada em 1913. "Como sabeis foram inauguradas as estações das importantes cidades do Catalão e Ipameri. O serviço do prolongamento até as margens do rio Corumbá tem sido feito com morosidade. Segundo informações que me foram prestadas, a empresa constructora pretende ainda, no corrente ano, montar a grande ponte sobre esse rio. Continuo a empregar os meus melhores esforços no sentido de ver o rápido andamento dessa estrada, que é, foi e será a maior aspiração do povo goyano. Do Corumbá a Annapolis o serviço não oferece dificuldades, não sendo necessárias grandes obras d'arte. O movimento comercial que notei em Catalão e Ipameri muito me alegrou" (Mensagem apresentada ao Congresso Legislativo do Estado de Goyaz pelo Dr. Olegário H. da Silveira Pinto em 13 de maio de 1914). A estação foi ponta de linha por um ano, até que se continuou a linha no sentido de Roncador. "No caso de Ipameri, a chegada da estrada de ferro vai acarretar o surgimento da primeira fábrica, da energia elétrica, da primeira agência bancária e outros 'pioneirismos', mas também faz surgir novas formas de exclusão, como os bairros e volas na cidade e os antigos casarões abandonados, contradições presentes na modernidade" (Hilma Aparecida Brandão: Memórias de um Tempo Perdido - A Estrada de Ferro de Goiás e a Cidade de Ipameri (Início do Século XX), Universidade Federal de Uberlândia, 09/2005).
 
http://www.estacoesferroviarias.com.br/efgoiaz/fotos/ipameri9381.jpg

ACIMA: Festa na estação ferroviária de Ipameri, ao lado do trem que chega, em 1938. Interessante como nessas fotos com pessoas vestindo roupa de imigrantes de países europeus o tempo parece não passar. Se olharmos somente para elas, a foto poderia ser dos dias de hoje (Acervo Biblioteca Municipal João Veiga, Ipameri).

A Chegada do Desenvolvimento

Com a chegada da Linha Férrea a cidade passou por um período de transformações significativas adquirindo características e uma posição de destaque no cenário goiano. A ferrovia é ainda hoje rememorada pelos ipamerinos como grande empreendedora da civilização capitalista em terras goianas.A partir daí vários foram os empreendimentos realizados e a classe hegemônica, constituída não só pelos patrícios como também por colônias européias aqui aportadas em fuga da 1ª guerra em 1914, começa a colocar em prática um projeto de urbanização e de civilização para a cidade. Entre eles está a construção da primeira usina hidroelétrica de Goiás, em maio de 1913, sendo seu proprietário o major Aristides Rodrigues Lopes, inaugurada antes mesmo da E.F. Goiás, que teve sua inauguração no dia 10 de novembro de 1913. O primeiro cinema, propriedade de Hildebrando Nicácio foi instalado em 1915. No mesmo ano inaugura-se a primeira charqueada de Libório Silva.

Segue-se o curso das inaugurações, em 1914 o primeiro automóvel Ford de Norval Caetano da Fonseca e, no mesmo ano o 'serviço público de Telefones' dos senhores Vicente Marot e Waldemar Leone Ceva. É fundado em 1917 o primeiro jornal 'O Pivor' do professor Aureliano do Carmo, em 1918 a Loja Maçônica Paz e Amor. Forma-se em 1919 a primeira equipe de futebol e é fundada a "União Esportiva Ipamerina". Em 1920 inicia-se os serviços de abaulamento de ruas com sarjetas e meio-fios, na administração do Intendente Vicente Marot.

Com a estrada de ferro, a usina hidroelétrica e a abundante matéria prima agropecuária, o gerenciamento pelos patrícios, pelos europeus e os árabes, a cidade industrializa-se e transforma-se no maior e mais importante centro industrial, comercial, cultrural e até financeiro da região, senão do Estado.

Em 1921 é instalada a Primeira Agência do Banco do Brasil em Goiás. Entre outros são considerados marcos importantes a transferência do 6º Batalhão de Caçadores em 1922, o jardim e o coreto da Praça da Liberdade em 1923, o Colégio Olavo Bilac, em 1927, a Casa de Saúde Santa Terezinha, em 1927, o Grêmio Espírita "Paz e Fraternidade", em 1928, o primeiro Grupo Escolar de Ipameri em 1929. Essas primeiras escolas deram origem a outras como o Ginásio Municipal (atual CEPEM) em 1933 e o Colégio e Escola Normal "Nossa Senhora Aparecida" em 1936.

A década de 1930 assiste ainda a construção, entre outros empreendimentos, da Igreja Matriz do Divino Espírito Santo em 1938, pelos padres espanhóis.

Indústrias de porte como de calçados, de couros, charqueadas, laticínios, fundição, máquinas de beneficiamento de cereais, torrefação e moagem, olarias, ladrilhos, etc. além de atacadistas e comércio exportador para outros estados, estabelecimentos bancários e clubes sociais, faziam parte do cotidiano ipamerino.

Estagnação e Decadência

A decadência da cidade, porém, não demoraria e já se fazia presente no início de  1950, foi quando a transferência das indústrias, das casas comerciais e bancárias e a mudança de várias famílias para cidades próximas, notadamente para Uberlândia, Anápolis e Goiânia e mais tarde para Brasília começaram a surgir.Em termos econômicos, sociais e culturais a cidade passou por um período de estagnação e retrocesso que é representado pelo senso comum como de "decadência".

Em meados dos anos 50 com a decadência do transporte ferroviário e a  marginalização do projeto rodoviário nacional a cidade sofreu um período de isolamento e atraso, época em que perdeu a maior parte de suas indústrias e do comércio de porte.

O desenvolvimento só voltou a acontecer a partir de meados da década de 1980,quando as estradas que ligam o município ao restante do país foram asfaltadas. A  mecanização da agricultura e a eletrificação rural também contribuíram para a retomada do desenvolvimento do município.

Desde então, Ipameri tem evoluído com a chegada de agroindústrias, empresas comerciais e instituições de ensino superior. Destacam-se entre esses empreendimentos a chegada dos plantadores de soja, oriundos principalmente do Sul e São Paulo que atrairam  empresas do seguimento como a Caramuru e outras mais que hoje se encontram instaladas no município.

A  Universidade Estadual de Goiás, o IF Goiano, a readequação do Aeroporto, a instalação de novas empresas e o grande potencial agrícola tem sido o carro chefe na retomada do desenvolvimento.

Festas Tradicionais

  • Janeiro – Na Primeira Semana do mês, grupos de devotos dos Três Reis Magos mantêm viva a tradição da  Folia de Reis
  • Fevereiro – Carnaval (Ipameri é refêrencia na região pelos animados carnavais que reúnem milhares de Ipamerinos e Visitantes)
  • Junho – Neste mês as Festas Juninas ainda é atração na cidade e realizadas em Escolas, a Paróquia do Divino Espírito Santo realiza também o Arraiá da Catedrá ;
  • O Mocajee Cross que na maioria de sua edições foi realizado em Julho, nas últimas edições tem ocorrido no final de Junho.
  • Julho – Exposição Agropecuária.
  • Agosto (15) - Festa da Padroeira da cidade, Nossa Senhora D'Abadia
  • Setembro (12) – Aniversário de emancipação político-administrativa que se deu em 1870.

Formação Administrativa

Freguesia criada com a denominação de Entre Rios, pela Lei Provincial nº 2, de 31-07-1845, no Município de Catalão.
Elevado à categoria de Vila com a denominação de Entre Rios pela Resolução Provincial nº 17, de 28-07-1858, desmembrado de Catalão. Constituído do Distrito Sede.

Pela Lei nº 352, de 01-08-1863, a vila foi extinta.
Restaurada pela Lei nº 446, de 12-09-1870, desmembrado de Catalão. Reinstalada em 10-10-1873.

Elevado à cidade por Lei ou Resolução Provincial nº 623, de 15-04-1880.
Pela Lei Provincial nº 841, de 20-09-1888 é criado o Distrito de Cavalheiro e incorporado ao Município de Ipameri.

Pela Lei Estadual nº 42, de 26-03-1904, o município passou a denominar-se Ipameri.

Pela Lei Municipal nº 29, de 29-08-1901 é criado o Distrito de Campo Alegre e incorporado ao Município de Ipameri.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído de 3 Distritos: Ipameri, Campo Alegre e Cavalheiro.

Pela Lei Municipal nº 100, de 22-10-1917 é criado o Distrito de Urutaí e incorporado ao Município de Ipameri.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de 4 Distritos: Ipameri, Campo Alegre, Santo Antônio do Cavalheiro e Urutaí .
Pelo Decreto-Lei Estadual nº 8305, de 31-12-1943, o Distrito de Campo Alegre passou a denominar-se Rudá.

Pelo Decreto-Lei Estadual nº 557, de 30-03-1938, o Distrito de Santo Antônio do Cavalheiro tomou a denominação de Cavalheiro.
Pela Lei Estadual nº 45, de 15-12-1947, desmembra do Município de Ipameri o Distrito de Urutaí. Elevado à categoria de município.
Em divisão territorial vigente em 1-VII-1950, o município é constituído de 3 Distritos: Ipameri, Cavalheiro e Rudá.

Pela Lei Estadual nº 893, de 12-11-1953, desmembra do Município de Ipameri o Distrito de Rudá. Elevado à categoria de município com a denominação de Campo Alegre de Goiás.

Pela Lei Municipal nº 83, de 31-12-1953, é criado o Distrito de Domiciano Ribeiro e incorporado ao Município de Ipameri.

Em divisão territorial datada de 1-VII-1960, o município é constituído de 3 Distritos: Ipameri, Cavalheiro e Domiciano Ribeiro.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 14-V-2001
Alteração Toponímica Municipal

- Entre Rios para Ipameri alterada, pela Lei Estadual nº 42, de 26-03-1904.

Gentílico: ipamerino

Fonte: prefeitura municipal
Fonte: Biblioteca IBGE

Visite em nossa cidade:

SALA DE EXPOSIÇÃO DE IPAMERI

LOCAL: 23ª Cia de Engenharia e Combate.
Av. Pandiá Calógeras n° 49 Centro
(64) 3491-1510
Visitas com agendamento prévio.

CERÂMICA BOA NOVA

Av. Victorino Benvinhat n° 41 - Setor Central 
Ipameri - GO CEP: 75780-000 
(64) 3491-1454

BIBLIOTECA MUNICIPAL JOÃO VEIGA

LOCAL:  Antiga Estação Ferroviária / Próximo à Feira Coberta.